
No dia 19 de maio de 2001, cerca de 300 famílias, junto ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), ocuparam um terreno no bairro de Bonsucesso no extremo da periferia de Guarulhos. O MTST é um movimento de caráter social, político e sindical. O terreno ocupado, com a extensão de 1.139.000 m², era um canavial que foi comprado pelo Sr. Cláudio Malva Valente, dono do 1º Cartório de Registro de Imóveis de Guarulhos e na época estava apenas sendo utilizado como desmanche de carros, desova de cadáveres e ponto de estupro.
A ocupação foi feita de forma organizada, sendo planejada quatro meses antes. No dia 23 de maio de 2001, o proprietário entrou com uma ação de reintegração de posse. Assim, no dia 28 de maio, os sem-teto protestaram numa caminhada de 25 km, do acampamento ao centro de Guarulhos, os resultados desta mobilização foram o adiamento da ação de reintegração e uma conversa solicitada pelo prefeito da cidade, onde foram propostas soluções. Os sem-teto, então, conseguiram entrar com recurso, assessorados por advogados voluntários e quebrar esta primeira liminar. Segundo o levantamento, já com vinte dias o acampamento Anita Garibaldi foi considerado a maior ocupação de Guarulhos e uma das maiores que se teve notícia. Contando com nove mil famílias cadastradas acampadas e mil e quinhentas famílias na fila de espera.
A forma de adesão foi muito rígida, segundo João Santana, na época militante do MTST: “tem casos de pessoas que chegaram no local, colocaram suas barracas

O Movimento Sem-Teto, cuidou da organização, seus coordenadores tinham a função de participar de reuniões e ligação entre os grupos e setores gerais. Haviam assembléias para todos, onde eram discutidas decisões e comunicados fatos importantes. Foram criados galpões escolas. No acampamento com cerca de mil e trezentas crianças, era fundamental que houvesse escolas ali no local, além, da maioria conseguir freqüentar as escolas públicas da região.
O acampamento contava com farmácia comunitária, cozinhas coletivas e uma área para doações. Existe também um sistema de coleta de lixo organizado onde o encarregado do grupo leva os sacos ao local destinado para este fim.
No centro do acampamento foram construídos galpões-escola destinados à reuniões e trocas de informações e onde são discutidos os projetos futuros. Um deles, e talvez o mais importante, é o Projeto de Hidroponia, um tipo de agricultura urbana. A intenção é construir no local uma comunidade diferente onde as necessidades básicas do trabalhador sejam supridas; moradia, trabalho e alimentação.

O pessoal da Resistência Popular tem prestado uma grande ajuda; estão acampados com as famílias sem-teto e se revezando no trabalho da construção de barracas e todo o resto do processo de infra-estrutura da comunidade, além de estarem colaborando também na arrecadação de doações.
Foi possível conhecer praticamente o acampamento inteiro e notar a força de luta e resistência dos trabalhadores que estão recuperando suas dignidades perdidas em função do sistema opressor que não lhes garante mínimas condições de sobrevivência – como a moradia. Segundo João Santana, há mais de vinte anos a prefeitura de Guarulhos não recebe a verba destinada à habitação.
Em meio à vitórias, as necessidades ainda são muitas: alimentos, água, remédios, cobertores, roupas, panelas, madeira, lonas, fios de eletricidade, produtos de higiene e limpeza, entre outros.
Em nova entrevista dada ao CMI, o militante J. do MTST, informou sobre as condições que o acampamento Anita Garibaldi enfrenta. Após 36 dias de ocupação alguns problemas novos começam a surgir. Um deles é o estado das barracas que, feitas de lonas pretas de plástico, começam a se deteriorar após tanto tempo. Outra questão são as pessoas, principalmente crianças, que apresentam entre outras enfermidades, problemas respiratórios – há muita poeira no local. O PA mais próximo está tentando atender o máximo de pessoas, o que não é suficiente. O Processo está parado na Justiça, mas os sem-teto continuam contando com o apoio do Setor de Direitos Humanos da OAB que está acompanhando o caso.
Em nova entrevista dada ao CMI, o militante J. do MTST, informou sobre as condições que o acampamento Anita Garibaldi enfrenta. Após 36 dias de ocupação alguns problemas novos começam a surgir. Um deles é o estado das barracas que, feitas de lonas pretas de plástico, começam a se deteriorar após tanto tempo. Outra questão são as pessoas, principalmente crianças, que apresentam entre outras enfermidades, problemas respiratórios – há muita poeira no local. O PA mais próximo está tentando atender o máximo de pessoas, o que não é suficiente. O Processo está parado na Justiça, mas os sem-teto continuam contando com o apoio do Setor de Direitos Humanos da OAB que está acompanhando o caso.
Outro ponto importante é a cobertura da ocupação feita pela grande mídia. Segundo os militantes, a grande imprensa esteve no local e aproveitou para fazer reportagens difamando o acampamento. Um exemplo é a Folha Metropolitana que escreveu que o local funcionava como centro de prostituição. Esses fatos contribuíram para que a população local se posicionasse contra a ocupação. Conforme o militante J. afirmou, por tudo o que acontece em Guarulhos – e até mesmo um assalto no distante centro, por exemplo – o acampamento Anita Garibaldi acaba sendo culpado. Não é dada, pela grande mídia, a importância devida à maior ocupação de que se tem noticia e, quando o acampamento é retratado, aparece a maquiagem que a imprensa dá aos fatos que são modelados de acordos com interesses próprios.

O acampamento não conta com apoio estadual nem federal. A única ajuda que obtém do governo municipal, que é o abastecimento de água com três a quatro carros pipa por dia, foi conseguida após os sem-teto ameaçarem comparecer ao centro de abastecimento mais próximo
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